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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Padres portugueses dizem que «Deus não odeia Lady Gaga»

Padre Edgar Clara e Padre José Borga comentam o comunicado emitido contra Lady Gaga pelo pastor Fred Phelps, nos EUA.


Lady Gaga no vídeo «Bad Romance».


O pastor Fred Phelps, da Igreja Baptista, publicou esta segunda-feira um comunicado contra a cantora de «Poker Face», onde afirma, sem hesitações, que «Deus odeia Lady Gaga». Numa entrevista concedida ao IOL Música, o Padre José Luís Borga afirma que «certamente tudo não passa de «uma guerra de marketing».

«Se eu fizesse um tema sobre homossexuais ia vender muito mais e apareceria de certeza na primeira página de todos os jornais! É um caminho fácil. Mas eu nunca me envolveria numa guerra contraproducente como esta», afirmou o conhecido padre-cantor.

No comunicado emitido, o pastor do Kansas, nos Estados Unidos, incitou ainda a um protesto contra a cantora americana, que em tempos confessou ser bissexual. Phelps, que já fez saber que sente ódio pelos homossexuais, chegou mesmo a chamar Lady Gaga de «prostituta» e acusá-la de incitar à rebelião contra Deus.

«As afirmações revelam algum desequilíbrio. A ser verdade não se diz assim. E se for mentira é uma ofensa. Mesmo que tenha alguma razão acaba por perdê-la depois destas afirmações. Quanto à cantora, ela não vai deixar de cantar só por causa destas declarações», acredita o padre José Borga, que, entre risos, acrescentou ainda: «Se Deus disse isso ao Padre Phelps convém que diga também à cantora para ela saber».

Indignado por ver alguém (mesmo que seja um pastor) a assumir-se como porta-voz de Deus ao ponto de dizer que «Deus odeia Lady Gaga», o padre português encara este episódio como uma espécie de «guerra aberta» que existe nos Estados Unidos, onde há muitas igrejas, e que não se verifica em Portugal porque «somos todos um pouco monocórdicos».

O padre Edgar Clara, director de comunicação do Patriarcado de Lisboa, também não tinha tido conhecimento desta polémica, mas apresentou ao IOL Música aquilo que, na sua óptica, pode justificar as afirmações do pastor Phelps, apesar de defender que não se pode dizer que Deus odeia alguém.

«Deus é amor, mas os baptistas são extremamente dualistas: Deus para um lado, o Diabo para outro. A linguagem utilizada por esse pastor da Igreja Baptista tem um enquadramento bíblico próprio. Não há uma teologia, mas sim uma repulsa apocalíptica - fenómeno que não é muito visível em Portugal».

Ao mesmo tempo que defende a ideia de que a Igreja pode e deve exprimir sentimentos, exprimir a sua doutrina e a sua opinião, o padre Edgar Clara alerta para aquele que considera ser um grave problema da cultura musical dos dias de hoje.

«Uma coisa é uma artista ou um grupo que se auto-intitula como satânico (como é o caso de Marilyn Manson), que presta culto ao Diabo. Outra coisa é a diabolização dos músicos pelos membros da Igreja. À Lady Gaga não sei qual destes pontos se aplica melhor. Mas uma coisa é certa: a melhor estratégia de marketing é arranjar um inimigo, porque se instala de imediato a polémica».

Neste contexto, Edgar Clara recordou também a cantora Sinéad O`Connor, que diz ser homossexual, e que nos anos 90 foi notícia por rasgar uma fotografia do Papa João Paulo II durante um programa televisivo - atitude reprovada por diversas entidades.

Ambos apreciadores de música, os dois padres portugueses falaram ainda ao IOL Música sobre as suas preferências musicais.

«Oiço muita música clássica. Johann Sebastian Bach é o meu compositor de eleição. Mas também oiço muito pop/rock cristão. Em termos de banda favorita, eu diria os U2... pelo cariz, pela forma como trabalham e pela vertente humanitária», revelou o padre Edgar Clara.

«Eu tento acompanhar tudo o que vai saindo a nível nacional e internacional: pop, punk, jazz, música clássica, música de intervenção (como podemos encontrar no álbum «Três Cantos)», concluiu o padre José Borga.


-IOL Música

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